Estudo feito pelo IFPR aponta que Umuarama é uma cidade barulhenta

Estudo feito pelo IFPR aponta que Umuarama é uma cidade barulhenta

Professores do curso de Arquitetura e Urbanismo do IFPR (Campus Umuarama) publicaram durante o Encontro da Sociedade Brasileira de Acústica (Sobrac) o artigo “Nível de pressão sonora: Cenário em meio urbano”. O encontro aconteceu no mês de outubro, em Porto Alegre.

O foco do estudo em Umuarama - feito por Otávio Akira Sakai, Joyce Ronquim e Grasielle Cristina dos Santos Lembi Gorla - era diagnosticar o comportamento do ruído na cidade em diferentes anos. Por isso, a análise foi feita em várias etapas. Segundo a professora Joyce Ronquim, foram escolhidos os 14 locais considerados mais barulhentos da cidade e cerca de 500 pessoas foram entrevistadas.

“Eram em sua maioria transeuntes que passeavam pelos locais onde aconteciam as pesquisas. Nossa intenção é diagnosticar como o aumento dos ruídos interfere diretamente na vida e na saúde do cidadão”, revela. Depois das entrevistas foi elaborado um trabalho estatístico a fim de encontrar quais os sintomas gerados pelo barulho, que afetavam a população, entre eles dores de cabeça e estresse.

Na segunda etapa os pesquisadores retornaram aos mesmos 14 pontos da cidade com um decibelímetro (aparelho que analisa a pressão sonora) e descobriram que em todos os locais o som estava acima do permitido.

“No cruzamento das avenidas Liberdade, Tiradentes e rua do Centro descobrimos picos de 90 decibéis, sendo que o nível deveria estar em 60 decibéis”, comenta a professora.

Durante a terceira etapa da pesquisa foi realizada uma nova análise, mas desta vez, cerca de 8 meses depois e somente em cinco dos locais onde foram encontrados altos níveis de ruído.

Aumento da frota

De acordo com a pesquisadora, os dados da pesquisa mostraram que entre os anos de 2005 e 2015 a frota de veículos de Umuarama cresceu de 35 mil para aproximadamente 75 mil veículos, fator que influencia diretamente na vida e na saúde do cidadão. “Além de provocar maior nível de ruído, gerando por sua vez mais casos de doenças referentes ao estresse por causa do barulho, o aumento da frota também obrigou o poder público a instalar mais semáforos e, cada acelerada dos carros para a arrancada nestes locais gera mais ruído e assim sucessivamente”, explica.

Os monitoramentos eram realizados 5 vezes ao dia, entre às 8h e 23h e os picos de volume, como buzinadas e passagem de carros de som foram desconsiderados para que os cálculos mostrassem exatamente se havia aumento do ruído gerado naturalmente pelo crescimento populacional e estrutural da cidade. “A ideia é avaliar o som produzido pelo fluxo de veículos e como o som no dia a dia se reproduz na vida das pessoas. É um estudo que nunca para”.

Lei do Silêncio

Uma Lei Municipal de 1999 dispõe sobre o controle e a fiscalização das atividades que gerem poluição sonora e, de acordo com a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) NBR 10152 regulamenta os níveis de ruído compatíveis com o conforto acústico em ambientes de diversos tipos.

De acordo com a ABNT, o limite aceitável de barulho é diferente para cada área (imagine, por exemplo, que o nível de ruído aceitável em uma sala de aula é diferente do nível aceitável em um hospital ou num ginásio de esportes).

Hospitais, escolas, escritórios, shopping centers, aeroportos e terminais rodoviários e ferroviários estão na lista dos ambientes que se beneficiam nas diretrizes estipuladas pela NBR 10152.

Fonte do site de notícias O Bemdito.

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