Dois anos após tragédia da 323, famílias ainda amargam incertezas

Dois anos após tragédia da 323, famílias ainda amargam incertezas

Já se passaram dois anos e as famílias das 20 pessoas que morreram em um acidente que marcou o histórico de violência da rodovia PR-323 ainda aguardam por uma resposta. A Justiça não conseguiu encontrar um culpado.

Por volta das 7h de 31 de outubro de 2016, um ônibus que transportava pacientes de Altônia para consultas em Umuarama, se envolveu em uma colisão contra uma carreta da empresa de laticínios Latco, que terminou em incêndio, matando o motorista do caminhão e 20 passageiros do ônibus.

Todos os trâmites do processo criminal foram realizados, desde a perícia técnica no local até a conclusão do inquérito, além de encaminhamento à Justiça. Inclusive com o entendimento da polícia e do Ministério Público de que o culpado seria o motorista da carreta. Mas o magistrado da comarca de Iporã encontrou dúvidas e o documento retornou às instâncias investigativas.

O delegado de Iporã, Hélio Nunes Pires, recebeu nesta terça-feira (30) o processo oriundo do Ministério Público, solicitando perícia complementar no local do acidente.

“Nós estamos nos preparando para realizar uma reconstituição do acidente. Já solicitamos que o Instituto de Criminalística agende uma data para a diligência e estamos aguardando a decisão”, revela.

Um novo laudo pericial deverá ser elaborado e, para que não haja impedimento jurídico, outra equipe de peritos, que não seja a de Umuarama, será designada pelo Instituto de Criminalística do Paraná para o trabalho.

“Assim que houver designação, um comunicado será feito à Polícia Rodoviária Estadual e ao DER (Departamento de Estradas de Rodagem), para que providenciem desvio no trecho em que acontecerá a reconstituição”, ressalta Pires.

O delegado explica, ainda, que neste dia serão intimados para comparecerem ao local os sobreviventes, entre eles o motorista do ônibus.

“O objetivo é esclarecer as dúvidas que ficaram. Se realmente a carreta teria invadido a faixa contrária, ou se o ônibus tinha espaço e tempo suficiente para desviar e evitar o choque. Vamos tentar definir a culpa”, conclui.

Contra o município

Advogados das famílias das vítimas moveram processos judiciais na vara cível contra a Prefeitura de Altônia a fim de receber indenizações. Em alguns casos por danos morais e em outros por pensões vitalícias, pois as vítimas eram mantenedoras de suas famílias. 

De acordo com a procuradoria, o laudo inicial apontou que não houve imperícia ou imprudência do motorista e portanto não há entendimento de que o município tenha responsabilidade nas mortes. Algumas petições analisadas apresentavam o laudo apontando que o motorista do caminhão teria invadido a pista contrária.

Latco

Por outro lado, Alan Carlos Ordakovsk, advogado que representa a Latco, aguarda a conclusão do inquérito policial para a abertura da ação penal sobre a responsabilidade do acidente.

Ele defende a tese de que o motorista do ônibus é que teria agido com imperícia e imprudência. “Nós defendemos a posição de que motorista da Latco não foi o responsável pelo acidente. Ele conduzia uma carreta, estava em aclive, e como sabemos estes veículos não andam em alta velocidade nestes trechos, além de se tratar de um motorista experiente e nunca ter se envolvido em acidente. Já o motorista do ônibus estava em uma curva. A dinâmica para os dois era muito diferente. O ônibus parou na contramão tendo do lado que o favorecia uma enorme área de escape. Além de que em depoimento ele disse que o caminhão estava na contramão”.

O advogado explica  ainda que aguarda o resultado do laudo complementar, que apontará o responsável pela autoria do acidente.

“Se o motorista da Latco foi o causador do acidente a empresa irá naturalmente indenizar as famílias”, aponta.

Ordakovsk ressalta que o trâmite para as indenizações fica suspenso até que o laudo seja concluído.

“É uma situação delicada, de fato as famílias das vitimas ficam pendentes dessa decisão de responsabilidade, não há uma decisão clara para buscar ressarcimento. Há um debate ainda de quem seria a autoria do acidente”, conclui.

Fonte: O Bemdito.

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